O Plano Original

Testemunho da Cadete Paula Mendes

"Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lucas 9.23)

No Colégio de Cadetes há uma sala onde ficam todas as bandeiras das Sessões(as turmas dos Cadetes). Cada bandeira leva o nome da Sessão, que é escolhido pela General. Creio que Deus não só a inspira, como também coloca cada cadete exatamente na Sessão onde ele deve estar.

O nome da Sessão em que estou é discípulos da cruz. O major Wilson Strasse, em uma de nossas devocionais, nos disse que ser discípulo da cruz tem a ver com morte. Não uma morte física, mas a morte do próprio eu. Nosso objetivo como cristãos é viver para Cristo, mas não há como fazer isso sem primeiro negar-se a si mesmo. No meu caso, esta descoberta não foi um processo fácil, nem rápido.

Entendi que Deus estava me chamando para ser oficial há mais ou menos 10 anos atrás, quando era uma adolescente e morava em Brasília. Fui ao Banco de Misericórdia e a comissária Rangel foi orar comigo. Levantei de lá com a certeza do que Deus queria, mas sem disposição nem coragem de seguir o caminho que Ele mostrava.

Nunca esqueci o chamado, mas por um tempo tentei adaptá-lo ao que eu achava conveniente. Queria servir a Deus como professora, funcionária da Aproses, missionária da Jocum, revisora... qualquer coisa, menos como oficial. Não gostava do uniforme e não queria muito compromisso com a igreja. Me transformei em uma discípula de mim mesma, das minhas vontades e das minhas escolhas. Queria viver meu chamado do meu jeito, sem ninguém mandando em mim ou me dizendo para onde ir. No meio desse processo fui trabalhar em Viçosa, no interior de Minas Gerais, em um lugar onde não há Exército de Salvação. Achei que seria um bom lugar para me esconder...

Morava em um seminário interdenominacional e achei que nesse ambiente cheio de possibilidades e contatos finalmente encontraria um lugar ideal para mim, algo que fosse a minha “cara”. Mas Deus tem Seu senso de humor e o que aconteceu foi exatamente o contrário. Ele começou a trazer à tona tudo o que eu tentava camuflar. Começou a me mostrar que nunca encontraria o lugar ideal se não estivesse disposta a mudar algo dentro de mim. E então passei por um doloroso processo de negação do meu eu e precisei entregar meus mapas, meus sonhos e até meu estilo.

Passadas as crises, retomei o processo de candidatura, que havia sido interrompido diversas vezes, e fui fazer o serviço vocacional em Brasília – no mesmo lugar onde há 10 anos atrás havia recebido o chamado. Foi um tempo de confirmação da vontade de Deus e de retorno ao Exército de Salvação – já que havia ficado quase 3 anos fora.

Hoje estou muito feliz por estar iniciando uma nova fase. Estar no Colégio de Cadetes ainda é algo espantoso, pois a vida toda ouvi histórias sobre esse lugar. Mas as surpresas têm sido agradáveis e as expectativas são boas. De fora, tudo parece muito mais rígido, difícil e chato. Estando dentro tenho percebido que broches, horários e regras são meros detalhes. O que está por trás disso é muito maior.

Quero ser uma oficial pois sei que foi para isso que o Senhor me chamou. Se continuasse ignorando, a única pessoa que perderia seria eu, pois participar da história de Deus é um privilégio e não quero trocar isso por nenhuma outra coisa, mesmo que seja a minha “cara”.

Posso afirmar com convicção que o que ganhamos vivendo por Cristo é infinitamente maior e mais precioso do que aquilo que deixamos para trás. Pois, como diz o apóstolo Paulo, para nós o viver é Cristo e o morrer é lucro.

Paula Mazzini Mendes - Cadete